Conheça a história por trás do famoso som de inicialização dos Macs! PAAAAAMMMMMM

Pouca gente sabe, mas o tradicional som que todos os Macs tocam ao inicializar não foi fruto de uma jogada de marketing ou algo do tipo. Na verdade, este som foi resultado de um “hack” (aqui entendido no sentido de modificação) silenciosamente abandonado dentro do computador por um engenheiro com um estúdio em casa.

O som original [este aqui] foi registrado por Jim Reekes, sendo usado pela primeira vez no Quadra 700 (vide imagem abaixo), um Macintosh lançado em 1991 que custava inacreditáveis US$ 7.000.

Este som passou a ser uma marca, que identificava de longe qualquer Mac ligando. Jim primeiramente havia escolhido o nome “Chime“, que em inglês tem uma pronúncia muito musical, e como na época a Apple estava enfrentando um processo gigantesco contra a Apple Corp. (selo de música ligada aos Beatles) os advogados vetaram o nome. Jim chegou a fazer piada sobre isso, dizendo que iria batizá-la de “Let it Beep”, uma óbvia referência à música “Let it Be” dos Beatles (obviamente os advogados também não aceitaram). Logo depois, uma palavra japonesa veio à sua cabeça:  “Sosumi“. E como não era nada musical, o nome pôde ser o escolhido.

A cultura pop mostrou isso muitas vezes, como no filme Jurassic Park, onde todos os computadores iniciavam com este som. Até mesmo recentemente, o som pôde ser ouvido no filme Wall-E, quando o pequeno robô “acorda” pela manhã, exatamente como um Mac (lembramos que esta película é fruto do trabalho da Pixar, empresa de animação que Steve Jobs ajudou a criar)

Veja o depoimento do seu criador, Jim Reekes:

 “O som de inicialização foi feito no meu estúdio caseiro em um teclado Wavestation Korg. É um acorde C Major (Dó Maior), tocado com as duas mãos estendidas da forma mais ampla possível (com 3 no topo, se bem me lembro). Isso só parecia certo para mim. Eu queria algo realmente gordo, um baixo pesado, notas altas, e um ataque forte. O som chiffy era de flautas e algo como um hit stick (estou testando minha memória aqui). Eu queria muitos timbres em evolução, efeito estéreo, e de reverberação para uma maior riqueza”

“As pessoas que utilizam o Mac estão muito familiarizados com o som, depois de reiniciar as suas máquinas com muita freqüência. Na verdade, essa foi uma das questões que eu estava consciente ao projetá-lo. Ligar o Mac é uma coisa, mas ser forçado a reiniciar a partir de uma falha é uma experiência totalmente diferente. eu queria evitar um som que estaria associado com o erro/acidente que o causou. Eu queria que soasse mais como um “limpador de paleta”.

“Depois eu mudei o som de inicialização (que exigia muita persuasão e trabalho em torno do sistema), os engenheiros de ROM continuaram mudando-a a cada nova máquina. Alguns deles eram fracos, como a guitarra de Stanley Jordon, usado nos primeiros PowerMacs. Eu me opus, porque o som não tinha “poder”. O engenheiro não era engenheiro de gravação, e não era suficientemente familiarizado com áudio. O som era raso,  sem profundidade. Quando Steve Jobs retornou em 1997, eu ouvi dizer que ele queria apenas um som para todos os Macs. Ele queria “aquele bom”, que foi o que eu criei. Pelo menos é assim que eu ouvi a história, e eu ainda estava trabalhando lá no momento. “

(tradução livre)

Abaixo, um vídeo com uma entrevista completa:

E aí, curtiu a história?

via